Mas ela não era sua esposa?

Publicado em por Amandina Morbeck em Gente

causos-medicosRi muito dessa história que uma médica contou para mim outro dia e que aconteceu num pronto-socorro.

Ela recebeu a ficha de uma paciente que havia dado entrada com quadro de hipertensão arterial e foi atendida e medicada por uma colega. Elas discutiram o caso e essa médica – que coordena o pronto-socorro nos dias de seu plantão – foi conversar com a senhora, que esperava na saleta de medicação depois que lhe foram aplicados os remédios para controle.

Quando chegou lá, dona L. estava sentada e, na cadeira bem do lado (embora existissem outras ao redor), um senhor idoso coladinho nela. Só os dois lá, mas ele estava quase abraçado à senhora. A médica começou a conversar, explicando que ela não podia ficar sem tomar os remédios, como recomendado, que era importante cuidar da alimentação etc. etc. etc. Enquanto isso, o senhor acompanhava tudo, atento, balançando a cabeça em concordância com o que a médica falava e dona L. de vez em quando olhava para ele, como se procurasse “sua aprovação”. Para a médica, a conclusão foi simples: eram marido e mulher. Terminado o papo, ela se despediu dos dois e voltou para o atendimento de outros pacientes.

Mais tarde, sua colega voltou com outra ficha e lá foram as duas falar com o novo paciente. Quando ela chegou na mesma saleta de medicação, quem era ele? O senhor que estava quase abraçado à dona L., que já não estava mais ali. Surpresa, ela olhou bem para ele e perguntou: Ué, mas o senhor não é marido da dona L., que atendi agora mesmo? Ele olhou para ela rindo, com uma cara de quem não entendeu por que ela perguntou aquilo, e só disse que não, que a conheceu ali.

A médica teve vontade de perguntar, então, por que ele estava quase abraçado à dona L. se nunca a tinha visto antes e também por que ficou prestando tanta atenção no que ela estava falando com a paciente, como se tivesse alguma coisa a ver com o caso.

Por outro lado, também ficou intrigada com o fato de dona L. ter, de certa forma, dado tanta atenção a ele ao olhá-lo várias vezes durante a conversa. Huummmm…. Ou será que ela fez isso por sentir-se incomodada e por achar esquisito o fato de, uma pessoa que ela nunca havia visto antes, estar tão à vontade, como se a conhecesse? Será que os olhares eram, na verdade, tentativas de fazê-lo perceber que ele estava à vontade demais para o gosto dela? (rs)

Como saber? Dúvidas que ficarão sem respostas. Depois de terminar a conversa com ele, despediu-se e não o viu mais.

Texto: Amandina Morbeck
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