Goran Kropp, o sueco maluco

Publicado em por Amandina Morbeck em Gente
Goran Kropp no Nepal - Foto: Arquivo pessoal.

Goran no Nepal – Foto: Arquivo pessoal.

Esse era o apelido de Goran Kropp (1966-2002), um superaventureiro que viveu intensamente os 35 anos que habitou este planeta. Sempre preocupado com a preservação do meio ambiente, tentava deixar o mínimo de pegadas por onde passava, como chegar ao topo do Monte Everest em 23/05/1996 numa jornada solo, sem carregadores, sem cordas e sem oxigênio suplementar para não deixar cilindros de alumínio ao longo da trilha e para estabelecer um contato o mais real possível com aquele ambiente de beleza incomparável, mas também inóspito, que o cercava. Para chegar a Kathmandu, início de sua aventura, pedalou os 6.200 km que separam a Suécia do Nepal. Sua aventura é contada por David Lagercrantz no livro Ultimate High: My Everest Odyssey.

Goran fez várias expedições, inclusive uma tentativa de caminhar até o Polo Norte em 2000, quando foi atacado por um urso no meio do caminho e forçado a interromper a jornada. Seu companheiro seguiu adiante e conseguiu completá-la.

Morreu durante uma escalada em rocha em 30/09/2002, seis meses depois de ter mudado para Seattle com Renata Chlumska, sua noiva e companheira de aventuras, para se prepararem para a circunavegação dos Estados Unidos. Ele despencou de uma altura de 23 metros e morreu na hora. Diante de tudo o que ele já havia feito, aquela simples escalada parecia banal demais para algo tão grave acontecer.

Goran Kropp no dia que chegou ao topo do Everest - Renata Chlumska - Foto: Arquivo pessoal.

Goran no dia em que chegou ao topo do Everest em 1996 – Foto: Arquivo pessoal.

Renata estava guiando um grupo no Nepal, fazendo o trekking de Lukla ao acampamento base do Monte Everest, quando recebeu a triste notícia.

Em 30/09/2012, no décimo aniversário da morte de Goran, ela escreveu a seguinte mensagem no Facebook:

Hoje, 30 de setembro, é um dia do qual sempre lembrarei, mas do qual gostaria de esquecer. Eu estava a poucas horas de Tengboche, guiando um grupo ao acampamento base do Monte Everest, quando um sherpa veio até mim e disse que eu precisava me apressar até a vila para fazer uma ligação. Lembro instantaneamente de sentir que algo estava muito errado. Recebi a notícia sobre a morte de Goran através de uma péssima ligação via satélite e cada parte de mim queria achar que eu devia ter ouvido errado. Mas não tinha. Goran estava escalando em Vantage, a poucas horas de carro a leste de Seattle quando ele se desprendeu e caiu em direção à morte. O inacreditável tinha acontecido. Seus pais perderam o filho único, eu perdi meu companheiro, muitas pessoas perderam um amigo e o mundo perdeu um ser humano especial. A morte de Goran mudou minha vida de muitas maneiras e é natural pensar sobre a perda pessoal. Mas fiquei mais triste pelo Goran. Hoje, dez anos depois, é inacreditável que Goran ainda realize sonhos e aventuras. Os sonhos e as aventuras de outras pessoas. Goran era muito inspirador quando vivo e isso sua morte não mudou. Ele continua a me inspirar, bem como a tantos outros e me sinto felizarda de ter compartilhado tantos anos e tantas aventuras com esse homem incrível. E como consolação, algumas vezes acho que ele talvez esteja na sua maior aventura…

Alguns vídeos com Goran Kropp:

Amandina Morbeck

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